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Final de ano. A partir da semana que vem entrarei em férias e só retomarei as atividades do blog em janeiro de 2010.Talvez ainda volte a publicar um ou dois posts até o dia 18 de dezembro. Mas não é certo.

Quero agradecer muito aos leitores que dedicaram um pouco de seu tempo para ler as matérias expostas aqui. Foi muito gratificante tudo isso nesse ano… aliás um ano incrível para mim, graças a Deus. Pretendo repensar, nessas férias, como irei trabalhar aqui no próximo ano. Desde já conto com todos para compartilharem comigo, no ano que vem, meus pensamentos sobre as “Coisas do Mundo”.

A todos desejo um Feliz Ano novo e felizes festas nesse final de ano junto com suas famílias.

O filme é um drama familiar que se desenvolve no interior do Irã, envolvendo a relação entre um pai e um filho cego, de 12 anos, e entre eles e a avó do menino. O pai, viúvo, tem mais duas filhas e está para se casar com nova mulher. Mas, esconde dela a existência desse filho, que estuda na capital Teerã e passa as férias na pequena aldeia no interior do país, onde reside o pai, a avó e as duas irmãs. Estando o menino na aldeia numa dessas férias e já perto de se casar, o pai afasta-o do convívio familiar levando-o para viver com um carpinteiro também cego a fim de que este ensine o ofício ao filho. A avó adora o neto e inconformada com o seu afastamento adoece e morre. Com a sua morte a família de sua futura esposa desfaz o casamento, por maus presságios. Sentindo-se culpado, o pai se arrepende do que fez, e, para redimir-se, vai buscar o filho para que volte a viver com o que restou da família. No entanto, na viagem de volta, o filho cai de uma ponte e é levado pela correnteza do rio. O sentimento paterno impõe-se e ele se atira no rio a fim de salvá-lo. No entanto, pouca coisa pode ser feita e, adiante, ele encontra o corpo desfalecido. Abraça-o, deixando aflorar profundo sentimento de perda e de amor pelo mesmo. O filho, em seus últimos estertores, parece ter sentido finalmente que o pai o ama de verdade, o que sempre quis. O amor do pai pode ter tornado o paraíso colorido para o menino.

Somente essa história já justificaria ver o filme, pois é muito bem contada, com poucos diálogos e uma fotografia lindíssima que ajuda a nos mostrar que alguns sentimentos humanos são universais: amor paterno/filial, profundas afetividades entre familiares, certo egoísmo a que nós humanos somos sujeitos em nossas vidas e suas conseqüências, o sentimento de culpa, etc. Também é retratado o dia-a-dia dos habitantes de uma aldeia no interior do Irã, seus afazeres, sua religiosidade, seus costumes.

No entanto, por trás dessa simplicidade percebo um filme que fala da exclusão social no Irã, percepção essa que resulta de uma narrativa como um jogo entre o dito e o não-dito, proposta pelo diretor. O dito: as cenas que mostram o pai pegando o menino em Teerã e levando para o interior são primorosas. Nelas são expostos o longo tempo de viagem, as mudanças das paisagens, as formas de viajar até chegar à Aldeia, etc. O não-dito: é como se dissesse ‘vamos ver a realidade do interior, fora da Capital. Só assim podemos conhecer o Irã’.

Nesse sentido, o menino cego é o símbolo das pessoas que não estão integradas na chamada moderna sociedade iraniana. Como ele, várias pessoas que, em geral, vivem no interior do país, enfrentam uma dura e difícil luta pela sobrevivência para conseguirem viver com dignidade. Para elas, a prática e o discurso oficial do governo do Irã não tem a mínima importância ou o menor alcance, parecendo mesmo inexistir.

Assim, enquanto o governo iraniano está envolvido em manter um suspeito programa nuclear, vive num conflito aberto com a comunidade internacional e reprime seus opositores, boa parte dos iranianos, mais pobres, tratam de seus afazeres cotidianos à margem do mundo da política e do seu exercício pelos atuais donos do poder que, parece, não tem nenhuma política pública que contemple os excluídos.

Por isso, no filme, todos parecem ser vítimas desamparadas: o pai que trabalha como uma besta em atividades que parecem ser próprias do século XVIII. A avó que trabalha no campo para tirar o sustento domestico, mantendo seus costumes de longa data; o filho cego que não se sente protegido e cujo futuro é incerto; as filhas que parecem prisioneiras de rotina da aldeia; a ex-futura mulher, presa a relações familiares milenares. Para todos eles, Teerã está muito longe, afastada de seus mais simples desejos. Vivendo assim, só lhes resta esperarem pelo dia em que verão a cor do paraíso!

Para Yoani, com carinho

A blogueira Yoani Sanchez foi impedida pelo governo cubano de vir ao Brasil para o lançamento do livro De Cuba, com carinho” (Contexto), no início de Novembro. Além disso, tornou-se mais intensa a repressão governamental sobre Yoani.

Agentes policiais a puseram dentro de um carro quando ela se dirigia a uma manifestação e a agrediram, a ponto de ter de andar de muleta por alguns dias. Mais ainda, perseguem-na e vigiam seus passos, a todo momento. Nada é mais ilustrativo da natureza policialesca do Estado cubano!

No entanto, numa ação inesperada de Yoani, ela passou a tirar fotos de seus perseguidores e a publicá-las no seu blog Generacion Y. Isso deixou-os inteiramente surpresos: de caçadores viraram caça. Um desses agentes disse: “ficou louca?”; uma agente policial escondeu seu rosto com as mãos para não ser reconhecida.

Em que pese as ações do estado policial cubano, que age conforme o figurino totalitário clássico (perseguições, prisões, espancamentos e repressão à liberdade de expressão e aos dissidentes) Yoani Sanchez vai trabalhando como pode e conquistando importantes vitórias práticas.

Em ação inédita, o Presidente dos EUA respondeu a 7 perguntas enviadas a ele por Yoani Sanchez. Ao estabelecer um diálogo com uma cidadã que se coloca à margem das instituições cubanas, Barack Obama deixou claro seu apoio à democracia, à liberdade de expressão e aos direitos humanos, ou seja, às questões essenciais para os cubanos e que lhes são subtraídas por um regime e um governo esclerosados.

A luta de Yoani Sanchez não tem prazo para acabar. Mas ela já inscreveu seu nome na relação das mulheres mais importantes da era digital ao desafiar o estado de coisas existente em Cuba. E sua luta deve ser a nossa luta, pois, como disse M. Luther King:

“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em toda parte.”

Visite o site de Yoani Sanchez: http://www.desdecuba.com/generaciony/

Einstein e Vigotski

Para Einstein, a mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original. É uma idéia sensacional, que suponho ter surgido na cabeça de Einstein a partir da reflexão sobre sua própria experiência de vida.

Podemos dizer que isso é o que acontece na aprendizagem. De fato, quando aprendemos algo isso nos modifica porque deixamos para trás um pouco do que éramos antes daquele instante.

Vigotski tem uma idéia semelhante à de Einstein. Diz ele que quando se aprende um signo nosso cérebro se transforma, porque esse aprendizado produz “ação reversa”, isto é, muda nossa realidade interna, psicológica.

Temos, portanto, dois gênios do século XX falando de coisas bem semelhantes. Idéias simples que ajudam a compreender a importância do trabalho educacional.

Shimon Peres no Brasil

O presidente de Israel vem visitar o Brasil por esses dias. É uma ótima oportunidade para que se cobre dele o esclarecimento e a veracidade da informação segundo a qual o governo de Israel controla a distribuição de água aos palestinos, na Cisjordânia e no leste de Jerusalém. Segundo a Anistia Internacional, entre todos os habitantes, “450 mil israelenses que vivem nessas regiões usam mais água do que os 2,3 milhões de palestinos”.

Se for verdade, isso constitui um atentado contra os Direitos Humanos perpetrado pelo governo israelense. Na verdade, mais um dos muitos que sucessivos governos israelenses cometem contra os palestinos. Ainda está na memória das pessoas o uso de bomba de fósforo usada na invasão da Faixa de Gaza, no início desse ano.

Relatório recente da ONU condenou esses atos do governo israelense. Falta responsabilizá-lo efetivamente.

Shimon Peres é oriundo da esquerda socialista israelense, ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1994 e é o atual presidente de Israel, depois de ter abandonado o Partido Trabalhista. É profundo conhecedor dos meandros da política de Israel e por isso suas declarações são cheias de cuidado, procurando agradar aos diferentes auditórios que o ouvem e que, eventualmente podem lhe retirar o apoio.

No entanto, ainda é lúcido o suficiente para influenciar as políticas do Estado israelense em relação aos palestinos. Precisa, para isso, de mais apoio internacional.

Do presidente Lula, por exemplo.

Agradecimento

Publiquei uma série de 5 artigos sobre o pensamento de Vigotski. Houve uma participação muito grande das pessoas, comentando diferentes aspectos abordados por esses artigos.

Quero agradecer a todos - também os que fizeram leitura, mas não comentaram - que participaram, muitos dos quais tendo que fazer um esforço extra para participar pois não possuem acesso à internet.

Com toda essa participação construímos um grande diálogo virtual muito interessante.

Obrigado a todos.

Introdução

Dando seqüência à série de artigos sobre o pensamento de Vygotsky, falaremos hoje sobre dois importantes conceitos desse autor: a Aprendizagem e a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Além disso, desenvolveremos algumas idéias sobre o papel do professor em uma perspectiva vigotskiana.

Vigotski compreende que a escola é uma instituição chave no desenvolvimento do indivíduo, justamente porque é nela que ele dá o passo fundamental para a formação de sua consciência semiótica ao aprender com o professor o conhecimento acumulado pela experiência humana, de forma sistemática (“conceitos científicos”), superando, assim, pré-conceitos adquiridos na interação social cotidiana e pré-escolar.

Para Vygotsky, a aprendizagem é condição para o desenvolvimento. Se na escola ele supera pré-conceitos e aprende novos conceitos, então o indivíduo se desenvolve intelectualmente na medida em que expande sua capacidade de memória, de atenção, de percepção, de pensamento e de linguagem, enfim, expande sua consciência semiótica, qualificando-se mais para a interação social. Portanto, a tarefa central da escola é a aprendizagem.

Conceito

Mas o que é a aprendizagem? E como ela ocorre? Para responder a essas perguntas Vigotski formulou o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Segundo esse autor, é preciso considerar que todo indivíduo, numa situação de aprendizagem, já possui um certo nível de desenvolvimento, que lhe dá uma capacidade de resolver um problema de forma autônoma, sem o auxílio de outra pessoa. Significa dizer que ele tem uma Capacidade Real (CR), “já sabe alguma coisa”. Ao mesmo tempo, ele possui também alguma capacidade de resolver um problema com auxílio de outra pessoa, tem uma Capacidade Potencial (CP). Seria parecido com a seguinte situação: um bebê engatinha. Ele já tem uma capacidade real de se movimentar sozinho. Não anda, mas é óbvio que possui um potencial para tal. A mãe, sabendo disso, o auxilia, agarrando suas mãos, colocando-o de pé e estimulando-o a andar, o que acaba ocorrendo.  

A Zona de Desenvolvimento Proximal é a ‘diferença’, o ‘espaço’, a ‘distância’, entre esses dois níveis de capacidade do indivíduo. Nas palavras de Vygotsky: “Em qualquer área, a criança tem um nível evolutivo real que pode ser avaliado quando ela é individualmente testada, e um potencial imediato para o desenvolvimento naquela área. A diferença entre os dois níveis é a zona de desenvolvimento proximal.”

A Aprendizagem

Uma vez definida a ZDP, pode-se conceituar a aprendizagem como um processo de aquisição de conhecimento que ocorre na ZDP e somente nela, pois não há aprendizado daquilo que já se sabe, que já faz parte do repertório de conhecimento do indivíduo; assim como ninguém aprende o que está muito além de seu potencial.

A aprendizagem, necessariamente, envolve a relação entre o aprendiz (o aluno) e o professor, numa interação social dialógica, que deve ter o seguinte resultado: aquilo que, em certo momento, o aluno somente consegue fazer com o auxílio do professor, num momento posterior será capaz de fazer sozinho. Em outras palavras, o aluno transforma, com a assistência do professor, sua capacidade potencial de aprender em capacidade real, passando a dispensar a ajuda do assistente, ou do suporte.

Conforme Vygotsky: “A idéia central é a seguinte: o que hoje se realiza com assistência, ou com auxílio de pessoas mais especializada no domínio em questão, no futuro se realizará com autonomia sem necessidade de dita assistência”.

Professor: Assitente/Suporte e características

O professor, como está claro, exerce um papel chave nesse processo: ele dá assistência, auxilia, enfim, promove o desempenho assistido do aluno na Zona de Desenvolvimento Proximal. Alguns autores falam dessa assistência como suporte, que teriam as seguintes características:

1) ajustável – o suporte ou a assistência deve estar de acordo com o nível de competência do sujeito menos especializado;

2) Temporal – A assistência ocorre em um lapso temporal. Se o suporte/assistência for constante (crônica) não proporciona a autonomia do desempenho.

3) Audível e visível – para que se desenvolva um controle gradual de resolução das atividades no sujeito menos especializado, ele deve ser consciente de que é assistido ou auxiliado na execução da atividade. Deve conhecer que os avanços aos quais tem acesso são produto de uma atividade intersubjetiva, que, assim, passa a fazer sentido para ele.

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